Setor externo em 2012 e perspectivas para 2013
22/1/2013 - 17:21 - ( Geral )

Em 2012 as transações correntes favoreceram menos o Balanço de Pagamentos, especialmente em  função da redução do saldo da balança comercial. Até novembro, a conta corrente acumulou déficit de US$ 45,8 bilhões, -1,5% em relação ao mesmo período do ano passado, e deverá encerrar 2012 com saldo negativo de US$ 52,5 bilhões, -2,3% do PIB. Para 2013, o Banco Central estima o acirramento do saldo negativo, que deverá chegar a -US$ 65 bilhões, -2,7% do PIB.

As exportações caíram 4,7% em relação ao acumulado até novembro do ano passado, influenciadas pela desaceleração da atividade econômica internacional. Se por um lado observou-se a redução nos preços de importantes produtos da pauta de exportações, como no caso do minério de ferro, por outro, a depreciação recente da taxa de câmbio influenciou positivamente as receitas com as vendas externas. A taxa de câmbio efetiva real depreciou-se quase 12% até novembro. As importações reduziram-se 1,1% no acumulado nos onze meses de 2012, culminando no saldo comercial de US$ 17,2 bilhões, 33,8% menor do que em 2011. O volume de comércio reduziu-se 3,0%, acompanhando a deterioração do fluxo de comércio internacional, com a manutenção da crise na Zona do Euro e a recuperação lenta da economia dos EUA. De acordo com a Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (FUNCEX), o saldo comercial em 2012 deverá aproximar-se de US$20 bilhões, com exportações acumulando US$ 246 bilhões (-3,9%), e importações da ordem de US$ 226 bilhões, praticamente estáveis em relação a 2011. As desonerações aos setores exportadores de manufaturados, conjugadas com o ganho de rentabilidade proporcionado pelo incremento do câmbio contribuirão para a queda menos significativa das exportações.

Para 2013, o Banco central estima que a balança comercial seja de US$ 17 bilhões, com US$ 268 bilhões de vendas externas e US$ 251 bilhões de importações.

Enquanto o saldo líquido das transações de serviços com o exterior cresceu 6,7%, influenciado especialmente pelos gastos de brasileiros com viagens internacionais, o resultado líquido da conta de rendas reduziu-se 41,5%, em virtude da queda na remessa de lucros e dividendos ao exterior.

 Os recursos da conta capital e financeira, por meio dos investimentos externos diretos (IED), também compensaram o saldo negativo das transações correntes. O ingresso líquido de IED somou US$ 59,9 bilhões nos onze primeiros meses do ano, e deverá alcançar US$ 63 bilhões, 5,5% a menos do que o registrado em 2011. Destaca-se que quase 80% desses recursos foram destinados ao aumento de participação no capital de companhias brasileiras. Em 2013 os investimentos estrangeiros diretos deverão somar US$ 65 bilhões.

Para investimentos estrangeiros em carteira (IEC) ingressaram no País US$ 14,7 bilhões até novembro, com a estimativa de que a cifra atinja US$ 16,1 bilhões este ano, e se reduza para US$ 9,2 bilhões em 2013. Essa queda esperada de mais de 40% é explicada em grande parte pela prática de juros menores no País, como parte do ciclo atual da política monetária.

As reservas internacionais acumularam US$ 378,5 bilhões, e deverão encerrar o ano praticamente estáveis. Para 2013 o Banco Central projeta um pequeno incremento de 1,2%, US$ 383 bilhões. Assim, o Balanço de Pagamentos deverá encerrar 2012 com saldo próximo a US$ 22,6 bilhões. O saldo projetado para 2013 é de US$ 5 bilhões, fruto da intensificação do déficit em transações correntes e do crescimento mais moderado dos ingressos de recursos externos.

Fonte : Sumário Econômico n° 1.305    Autor : Singaro