Estudo técnico da CNC mostra que o valor representa 51% do PIB. Apesar da expressiva alta nos oito primeiros meses, o total financiado ficou 1,9 ponto percentual abaixo daquele de 2011
As operações de crédito do sistema financeiro alcançaram o valor de R$ 2,2 trilhões em 2012, expansão de 8,9% no acumulado do ano (até agosto), mas 1,9 ponto percentual abaixo da variação de 10,8% observada nos oito primeiros meses de 2011. De acordo com o Banco Central (BC), esse volume representa 51% do Produto Interno Bruto (PIB) — soma das riquezas do País. Em agosto, a elevação foi de 1,2%, acima do crescimento de 0,8% no mês anterior. Já nos últimos 12 meses terminados em agosto de 2012 a variação foi de + 17,0%.
Estudo realizado com base nos números divulgados pelo BC pela economista Catarina Carneiro da Silva, da Divisão Econômica da CNC, mostra que, do total de crédito disponível, R$ 1,41 trilhão corresponde a empréstimos baseados em recursos livres, isto é, que podem ser alocados livremente.
O crédito para pessoas físicas cresceu 1,3% em agosto de 2012, pouco acima do crescimento de 0,8% do referente à pessoa jurídica. No ano, o avanço foi de 7,8%. As operações de leasing mostraram o maior impacto negativo, com recuo de 6,8% no mês, 34,3% no acumulado do ano e 45,7% nos últimos 12 meses.
Já o crédito com recursos direcionados — empenhados pelo governo, via BNDES, entre outros — representou 36,2% do total, com saldo de R$ 800,5 bilhões. O crescimento no mês foi de 1,6%, influenciado principalmente pelo incremento de 3,9% no setor rural, o qual compensa a queda de 2% observada no mês anterior. Os créditos imobiliário e habitacional somaram R$ 250 bilhões. Até o último dado disponível, o crescimento de ambos foi de 3,2%, em comparação com julho, e 38,6% contra o mesmo mês em 2011.
Em relação ao crédito à pessoa física com incidência de juros, a taxa média de juros mostrou queda de 0,6 ponto percentual, alcançando o nível de 35,6% ao ano, menor nível da série histórica. “Com a redução gradual da meta Selic — taxa básica de juros da economia — decidida pelo BC, esse desempenho já era esperado. A Selic, atualmente fixada em 7,5%,está em seu menor nível histórico,” diz a economista. No cheque especial, os juros chegaram a 148,6% ao ano.