Empresários do comércio defendem juros compatíveis
14/9/2012 - 16:36 - ( Nacional )

O movimento de queda na taxa básica de juros, a Selic, iniciado pelo - Banco Central no final do ano passado resultou em um patamar histórico para esse importante índice da nossa economia: 8% em julho, com uma parte do mercado apostando em pelo menos mais uma redução em 2012. Apesar disso, os juros continuam sendo um pesadelo para os empresários do comércio e para o consumidor,já que as taxas cobradas no cartão de crédito, no cheque especial e no crédito pessoal continuam entre as mais altas do mundo, sem movimento expressivo de queda. No momento em que a economia brasileira ainda patina, sob o impacto da crise internacional e do alto nível de endividamento dos consumidores, a Confe deração Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) tem reiterado a necessidade fundamental de que as taxas cobradas do consumidor reflitam o atual cenário, marcado por Selic em queda e inflação sob controle.

“A presidente Dilma está fazendo um esforço hercúleo para reativar a economia, para que a economia reaja, para que haja um crescimento do PIB compatível com o crescimento vegetativo da população, um crescimento do consumo, para que se absorva mão de obra”, observa o vice-presidente da CNC José Roberto Tadros. “Mas isso só é factível se também o consumidor for estimulado com taxas de juros mais justas, mais condizentes com a realidade da inflação brasileira”, completa Tadros, ressaltando que o incremento do consumo interno poderia absorver uma boa parte dos produtos que, em função da crise global, deixaram de ser exportados.

A redução dos altos juros cobrados no Brasil é uma causa histórica do setor produtivo. Apesar da ênfase dada à Selic, as taxas pagas pelos consumidores e empresários são muito mais elevadas. A taxa de juros média anual paga pelas pessoas físicas no Brasil é de 46%, e pelas pessoas jurídicas, de 40%, o que praticamente inviabiliza a maior parte dos projetos, ante o custo de captação.

Que os juros cobrados no Brasil estão entre os mais altos do mundo todos sabem. A grande questão é saber quando o consumidor poderá se beneficiar da queda da taxa básica Selic, promovida pelo Banco Central.
O chefe da Divisão Econômica da CNC, Carlos Thadeu de Freitas, explica que os efeitos da redução da Selic chegam muito lentamente para o consumidor. Um dos fatores que contribuem para isso é a expectativa do mercado de que o Banco Central poderá se ver obrigado a aumentar novamente a Selic no ano que vem.

“Além dos custos de captação, há também os custos administrativos”, explica o economista, ressaltando que os bancos brasileiros precisam reduzir esses custos para emprestar a juros menores.

Em relação às grandes empresas, a maior parte delas tem acesso às linhas do BNDES”, afirma Carlos Thadeu.

Outra medida que poderia resultar na melhoria das condições do crédito é a redução do recolhimento compulsório que os bancos têm que fazer sobre depósitos a prazo.

Em relação ao cartão de crédito, o economista da CNC aponta a necessidade de regulamentação do setor, com o objetivo de promover mais transparência. A cruzada contra os juros elevados levou o governo a convocar os principais executivos das nove maiores instituições financeiras do País para uma reunião em Brasília. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, questionaram o pouco apetite dos bancos na concessão do crédito e a velocidade insatisfatória com que a redução dos juros está chegando aos clientes.

O jornal Brasil Econômico do dia 9 de agosto chegou a informar que a equipe do ministro Guido Mantega dispunha de dados mostrando que linhas como descontos de duplicatas e de promissórias estariam sendo dificultadas pelos bancos, segundo reclamações do setor varejista recebidas pela Fazenda.
Mantega teria cobrado dos executivos maior velocidade no corte de juros. Conforme os balanços semestrais recentemente divulgados, o aumento da inadimplência afetou a lucratividade dos bancos, levando-os a ampliar suas provisões. Especialistas do mercado, no entanto, veem espaço para a queda dos chamados “spreads” bancários — a diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa efetiva cobrada dos clientes.

O dado de junho do Banco Central aponta para 27 pontos.

Participaram do encontro em Brasília os presidentes do Itaú (Roberto Setúbal), do Santander (Marcial Portela), do Citibank (Hélio Magalhães) e do HSBC (André Brandão) e os vice-presidentes do Bradesco (Júlio Araújo), do Safra (Sílvio Aparecido de Carvalho) e do BTG (Pérsio Anda). Os presidentes dos bancos públicos também estiveram presentes à reunião: Jorge Hereda, da Caixa, e Aldemir Bendine, do Banco do Brasil.



 

Fonte : CNC NOTICIAS    Autor : SINGARO