Aproveitando o embalo da Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Volvo Bus Latin America apresenta o primeiro ônibus híbrido produzido no país, o Hibribus, que inaugurou uma linha de produção exclusiva para esse fim. Movido a energia elétrica e biodiesel, a unidade lançada durante o evento no Rio de Janeiro, faz parte do primeiro lote de 30 veículos que chega às ruas da cidade de Curitiba, no Paraná, no segundo semestre deste ano. Outras 30 unidades entrarão em circulação em 2013.
O investimento de R$ 26 milhões na aquisição dos híbridos faz parte de um conjunto de ações que tem como foco um sistema de transporte eficiente e sustentável, pela qual a cidade paranaense é reconhecida mundialmente. Ela utiliza o sistema BRT-Business Rapid Transit, as estações-tubos e o Ligeirão Azul, um ônibus com 28 metros e capacidade para 250 passageiros, que utiliza 100% biodiesel de soja. Aliás, o B100 também abastece a Linha Verde, que conta com uma frota de 32 ônibus, seis articulados e 26 biarticulados, responsável pelo consumo de 200 mil litros mensais do biocombustível.
Daí para a adoção da tecnologia híbrida foi uma evolução natural. “Conhecemos a tecnologia híbrida no lançamento da Volvo em Gotemburgo, há dois anos. Ali lançamos o desafio: adaptar o chassi para uso de B100”, conta Luciano Ducci, o médico pediatra que é prefeito da capital paranaense. A Volvo Bus, antiga parceira, comprou a ideia.
Mesmo que o conceito em si não seja uma novidade, a versão brasileira exigiu adaptações desenvolvidas pela equipe brasileira, com ajuda da matriz sueca. Sistema de regulagem do motor e os filtros de combustíveis estão entre as principais mudanças necessárias. Essas adaptações exigiram um ano de trabalho da engenharia e um investimento de USS 20 milhões na nacionalização e customização do chassi’, conta Luis Carlos Pimenta, presidente da Volvo Bus Latin America. Cerca de 55% dos componentes do novo chassi são nacionalizados, sendo importados a bateria, o motor elétrico e o módulo de conversão de energia cinética para elétrica.
A transmissão Volvo 1-Shift de 12 marchas, equipada com um software que interage com o sistema híbrido, também será importada até o ano que vem, quando passará a ser produzida na unidade brasileira. A nacionalização garante o, acesso à linha especial de financiamento para veículos elétricos e híbridos do BNDES — Banco Nacional de Desenvolvimento em condições camaradas: prazo de até 12 anos, juros de 5% ao ano e carência de dois anos para o primeiro pagamento.
Pimenta estima que haja mercado para cerca de 350 unidades desta alternativa por ano — só Curitiba renova cerca de 300 veículos por ano, mais as negociações em andamento com Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, Bogotá, na Colômbia e na cidade de São Paulo, onde um protótipo está sendo testado.
O Hibribus possui a mesma configuração de motores paralela usada no mercado europeu. O motor elétrico 1-SAM Çlntegrated Starter Alternator Motor), com potência de 160 e torque de 800 Nm, garante as arrancadas rápidas até a velocidade de 20 quilômetros hora, quando o veículo mais precisa de energia. A partir dai, motor diesel Volvo D5E de quatro cilindros e potência de cv assume a tração. Este volta a ser desligado nas paradas veículo em semáforos e embarque/desembarque.
Um avançado sistema de gestão regula a interação entre motores, desligando o motor diesel nas paradas em semáforos ou para embarque e desembarque e acionando o motor elétrico nas partidas. Com isso, garante a montadora, os índices emissões de CO2 e NOx são reduzidos em até 50% em rela ção aos motores Euro 5 e 90% em relação aos modelos Euro 3, que ainda compõe a maior parte da frota. “O uso do motor elétrico reduz a emissão a zero e produz baixíssimo ruido”, conta Pimenta.
O armazenamento de energia é feito por baterias de ion lítio, que são recarregadas com a energia cinética produzida pelas frenagens e também pelo motor a diesel. Essa mesma energia será utilizada para periféricos como a bomba hidráulica e abertura de portas. As baterias são fornecidas em comodato pela própria Volvo Bus, que cobra um custo por quilometro rodado. “O custo para aquisição das baterias encareceria demais o chassi e inviabilizaria a venda “, explica Pimenta, lembrando que dessa forma a montadora também fica com a responsabilidade da logística reversa dos componentes.
Como o modelo híbrido tem um custo 50% maior que o ônibus comum - um Hibribus custará cerca de R$ 650 mil encarroçado-, reduzir os custos de manutenção é imprescindível para a prefeitura, para não ter que repassar o custo para a tarifa e onerando o bolso do usuário. Um problema que, segundo Elcio Karas, gestor de Inspeção e Cadastro da URBS — Urbanização de Curitiba, a empresa responsável pelo planejamento, operação e fiscalização dos serviços de transporte de Curitiba, já está praticamente equacionado.
“A redução de 35% no consumo de combustível e uma vida útil de cerca de dois anos superior ao modelo comum equilibra as contas”, explica. Tanto que os contratos das concessionárias estabelecerão que a idade máxima dos modelos híbridos passe dos atuais 10 anos para os modelos diesel para 12 anos na alternativa híbrida.
As primeiras 30 unidades sairão de fábrica com carroceria Viale BRT Híbrido, um modelo produzido a toque de caixa pela Marcopolo. ‘Tivemos apenas 60 dias para desenvolver um modelo completo”, afirma Paulo Corso, diretor comercial da encarroçadora.
A carroceria conta com transmissão automática, poltronas com encosto de cabeça, descansa-braços e descansa-pés, três lixeiras no salão de passageiros, sirene de marcha à ré e sistemas de gerenciamento de frota e de iluminação interna em LEDs.
Para a Volvo, o próximo passo é oferecer até 2016 o chassi 6x2 e as versões articulada e biarticulada do modelo. “Também estaremos trabalhando para otimizar o sistema zero de emissão, aumentando a participação do motor elétrico para além dos atuais 20 quilômetros por hora”, explica Pimenta. Isso deverá elevar a economia de combustível para 65% e reduzir as emissões em até 90%.