Gigante sobre trilhos
São Paulo executa o maior plano de expansão de transporte metropolitano do mundo e investirá US$ 22 bilhões até 2014
A região metropolitana de São Paulo executa o maior plano de expansão e modernização do sistema de transporte metropolitano de todo o mundo até 2014, onde serão investidos nada menos de R$ 45 bilhões, cerca de US$ 22 bilhões. O foco central será o fortalecimento da rede metroferroviária, que até lá chegará a um total de 405 quilômetros de linhas, 304 de trens metropolitanos e 101 quilômetros de metrô. No momento estão em execução nada menos que quatro linhas de metrô ao mesmo tempo e outras oito estão ocorrendo no sistema de trens metropolitanos. No final desta década, apenas o sistema metroferroviário da Grande São Paulo transportará mais de 10 milhões de passageiros por dia.
Tudo isso para suportar um crescimento da demanda sem paralelo: apenas entre 2010 e 2011 o número de passageiros de metrô aumentou em 8,9% e o dos trens metropolitanos em 9,1%. Hoje são 11 linhas metroferroviárias, 335 km de extensão, 153 estações, 7,1 milhões de passageiros e 22 municípios atendidos.
Entre os destaques dessa arrancada estão a Linha 13, que chegará ao aeroporto de Guarulhos e o monotrilho, um sistema que passará pelo estádio do Morumbi e que é muito mais econômico que o metrô subterrâneo, pois independe de túneis e custosas desapropriações.
Os números são extraordinários e com poucos paralelos no mundo, pois envolvem cerca de 20 milhões de pessoas na população, sem contar os flutuantes que passam por dia pela Grande
São Paulo, cerca de 1,6 milhão de pessoas, um aglomerado que concentra 11,60/o da população do Brasil e 14% do PIB nacional.
Garantir a mobilidade para essa população e seus afazeres não é coisa fácil. Só na cidade sede são 50 shoppings centers soma sozinha 20% das vendas e 9,2% das lojas do país 270 cinemas, 92 teatros, 70 museus, 30 mil bares e restaurantes etc etc. O resultado uma população flutuante gigantesca que vem à cidade para realizar negócios — são 90 mil eventos por ano e 107 grandes exposições/ano — que somam um total de 15 milhões de visitantes por ano, a engrossar a lotação de uma frota de 1 5 mil ônibus, 74 quilômetros de metrô, 261 km de linhas de trens metropolitanos, 6,1 mil ônibus intermunicipais, que ajudam a somar município sede.
E o pior disso tudo é que não há planejamento de oferta de emprego dentro de uma mesma região e milhões de pessoas se deslocam entre os extremos da cidade em horários de pico, o que requereria um grande superdimensionamento da rede e uma ociosidade na maior parte do dia.
Para tentar dar um jeito neste caos metropolitano, o governo de São Paulo, via secretário dos Transportes Me tropolitanos do Estado de São Paulo, Jurandir Fernandes, tem como meta investir nada menos de R$ 45 bilhões até 2015, no maior projeto em andamento em todo mundo para este fim.
Para se ter ideia, em 2010 a região concentrava 77% do transporte urbano sobre trilhos do Brasil, embora estes representassem apenas 3,7% dos deslocamentos totais. A matriz de transporte urbano da região é uma espécie de síntese do que encontramos por todo país em grandes cidades: a grande maioria da população, 37,3%, se desloca a pé na RMSP; o transporte coletivo é opção de 29,1% dos habitantes; 27,1% se movimentam por automóvel; 3,2% por motocicleta e outros 3,2% se moviam com bicicleta. Nacionalmente, a parcela dos que se deslocam a pé é bem maior que isso nas pequenas e médias cidades.
O fato é que ao alcançar o status de metrópole não é fácil resolver os problemas de uma cidade que cresceu sem planejamento e na qual o transporte urbano de massa é uma gigantesca colcha de retalhos de modais. A única forma de garantir o ir e vir da população será o investimento maciço na modernização da rede metroferroviária, envolvendo o metrô e os trens urbanos e suburbanos.
“Os ôníbus vão evoluir atra cada e outros 75 estão contratados. Para conseguir a sinergia que a população da região precisa, ou seja, multiplicar o número de linhas, o secretário diz que as nossas projetistas [empresas de engenharia) precisam se modernizar, pois os projetos demandam 3 anos e entre 12 a 14 meses só para o projeto básico.
“Temos que nos estruturar para ter capacidade plena para transportar 9,3 milhões de passageiros por dia em 2014 pelo sistema metrô-ferroviário”, explica Fernandes. Um problema gigantesco exige uma solução idem. O sistema tem que dar. vazão a milhões de viagens/dia e a cidade de São Paulo é o centro de todo o problema.
“Para se ter ideia, apenas o sistema de onibus fretados soma 15.626 coletivos que, junto com outros tipos de veículos, injetam mais 2,6 milhões de pessoas na cidade”, complementa. Com o intuito de permitir a mobilidade, os 74,5 km de metrô chegarão a 101 krn aos quais se juntarão 304 krn de trens metropolitanos, consolidando uma rede com 405 km de trilhos funcionamento de forma sistêmica, integrados, além de toda a rede de linhas de ônibus, hoje com um total de 15 mil unidades.
Para solucionar a equação estão previstos investimentos de menos que R$ 80% financiados por bancos internacionais como o BID e BIRD. A verba para o metrô é de R$ 29,9 bilhões, para a CPTM, de trens metropolitanos, R$ 9,39 bilhões; R$ 4,91 bilhões vão para a SMT para a compra de trens, R$ 836 milhões para a EMTU e R$ 15,5 milhões para EFSJ, Estrada de Ferro Santos a Jundiaí.
Para recuperar o tempo perdido, o governo busca os menores custos possíveis. “O custo por quilômetro nos anos 70 era de US$ 100 milhões, enquanto hoje varia entre US$ 280 milhões a US$ 320 milhões, ou seja aumentou mais de 100% em dólares”, diz Fernandes.
Para acelerar o processo e fazer render o investimento, o planejamento das linhas procura maneiras de gastar menos. Numa greide de metrô que precisa ser de 4%, os engenheiros buscam aplicar ao máximo o método de vala aberta - um exemplo é o da praça Marechal Deodoro -, que requerem menor volume de bota-fora (terra, estéril e entulho). Isso não acontece com o monotrilho (greide de 8%, que é a inclinação máxima). Resultado, a execução é possível na metade do tempo. Nesse caso a capacidade é de 48 mil passageiros/hora/sentido e as composições também podem fazer curvas muito mais fechadas.
Os problemas que vem sendo observados, enfim, são fruto do incremento exagerado do número de passageiros, pois segundo organismos internacionais, o metrô de São Paulo é um dos mais seguros do mundo, tendo em vista a operação de 4,7 mil viagens! dia, o transporte de 4,45 milhões de passageiros/dia, 3,23 milhões de aberturas e fechamentos de portas e 75 mil km/ dia. O número de ocorrências é de uma a cada 26 milhões de passageiros transportados ou 1 a cada 30.600 viagens ou 1,89 a cada milhão de quilômetros rodados.